Manuel José: "Jesus não cresceu mentalmente e Mourinho joga para o resultado"

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Conhecemos Manuel José quando era, com 33 anos apenas, treinador do Sp.Espinho. Com os “tigres”, equipa onde este algarvio de Vila Real de S.António acabou por estabelecer a sua base, fez uma época sensacional. Depois, foi por aí acima, somando mais de 500 jogos na 1.ª Liga. Treinou o Sporting duas vezes e o Benfica uma e construiu os alicerces do Boavista que acabou por ser campeão com Jaime Pacheco, depois de por lá ter passado também Mário Reis para dar o seu contributo. Antes de Scolari, teve tudo acertado com Gilberto Madail para ser o selecionador nacional mas foi vetado por Pinto da Costa. O presidente do FC Porto está habituado a ser mimado pela sua corte e Manuel José tem dificuldades em dobrar a espinha. É um homem desassombrado e que se cultivou ferozmente quando esteve uma década no Cairo, no comando do super campeão Al Ahly. Levou para o Egito caixotes de livros e, no hotel 5 estrelas onde sempre viveu, devorou-os, sempre sedento de novos saberes. No Egito não pode sair à rua sob o risco de ser canonizado na praça pública. Por aqui, acham-lhe piada. Mas Manuel José, como se pode ler na magnífica entrevista de Paulo Montes que hoje ‘A Bola’ publica, não é apenas engraçado – Manuel José é uma referência do futebol português que o futebol português tarda em reconhecer. Na parte que nos toca, chapeau.
Nesta entrevista a ‘A Bola’, Manuel José diz que a corrupção “é endémica em Portugal e no Mundo” e revela que por três vezes o impediram de ser selecionador nacional. Quanto aos árbitros, “estamos a querer voltar ao tempo de antigamente, em que se comprava tudo como se compram tremoços”.

Para Manuel José, o melhor dirigente que conheceu no futebol português foi Carlos Padrão, nos Tigres da Costa Verde, e do Manuel Damásio que encontrou no Benfica disse que não passava “de um pobre coitado que se quis promover no futebol”. Fica-se também a saber que para ele o melhor treinador a trabalhar em Portugal é Jorge Jesus. Pela sua filosofia competitiva, pela sua intensidade, pela vontade que mostra em jogar para o espetáculo. “Mas não devemos dizer isto muito vezes por causa da vaidade dele”, apressa-se a juntar. “Ele não cresceu mentalmente e não está preparado para as críticas”, completou.
De José Mourinho, com quem fez chispa, não deixa de dizer que é “um enorme treinador” mas “joga para o resultado”.
Mas o melhor mesmo é ler a entrevista do Paulo Montes. Custa menos que um Big Mac.
 

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