Jogo Duplo: Carlos Oliveira fala de camisolas, MP acredita que o jogo foi manipulado

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Jogo Duplo: Carlos Oliveira fala de camisolas, MP acredita que o jogo foi manipulado

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Carlos Oliveira, ex-presidente da SAD do Leixões e do clube, respondeu esta 5.ª feira em tribunal durante o início do julgamento do caso ‘Jogo Duplo‘. Foi o único arguido que justificou os factos pelos quais está acusado de corrupção desportiva. O Ministério Público pede a interdição durante três anos do Leixões nas competições profissionais pelos factos que apurou e que deram substância a uma acusação que também envolve o ex-diretor desportivo leixonense, Nuno Silva, que em dezembro passado chegou a acordo com o Leixões.
O “filme” do MP é o que passamos agora.
Dia 12 de maio de 2016. “Aranha“, elemento da claque Super Dragões, Gustavo Oliveira, Rui Dolores, João Carela e Hugo Moedas (estes dois últimos antigos jogadores do Leixões) mantiveram contactos com jogadores da Oliveirense “com vista à manipulação do jogo com o Leixões”, o último do campeonato, decisivo para a equipa de Matosinhos.

Aranha, Gustavo, Dolores, Carela e Moedas fizeram uma vídeo chamada para um tal Steve, “com vista a acordarem a manipulação do jogo”, isto na tese do MP.
A investigação apurou também que desde 8 de maio que Nuno Silva se encontrava em negociações com Carela e Moedas “no sentido de corromper alguns jogadores da Oliveirense, entre as quais o guarda-redes Hélder Godinho (que não defrontou o Leixões) e o defesa Luís Martins.
Nas conversas escutadas entre Carela e Moedas, várias vezes estes referiram que caso o Leixões garantisse a permanência na 2.ª Liga “os respetivos dirigentes iriam falar com eles”.
O MP acredita que a manipulação do jogo “esteve em cima da mesa para efeito de apostas desportivas” mas esse objetivo foi afastado face ao desinteresse de Yap e de Steve (figuras do topo da alegada rede).

Encontros vigiados e fotografados num café da feira e num centro comercial de Gaia

Com o aproximar do jogo, os contactos entre Nuno Silva e Carela intensificaram-se e ambos abordam os problemas financeiras que afetavam a Oliveira, num momento em que os seus jogadores fizeram mesmo greve aos treinos. Nuno Silva referiu a Carela que o seu presidente, Carlos Oliveira, e o treinador, Pedro Miguel, hoje de novo no comando da Oliveirense, “também estão a trabalhar” no assunto. Carela sugere que “mais valia ele dar ali a um ou dois” que estaria feito”. Carela que disse estar na disposição de ir falar com os jogadores da Oliveirense na Feira, no “Net Café”. Que depois diria qualquer coisa.
Carela informa depois que Hélder, Martins e o defesa esquerdo da Oliveirense “estão disponíveis” mas que ninguém pode saber. Nuno Silva quer saber o que eles querem e diz que o presidente do Leixões e o treinador se estão “a mexer por outro lado” e que “há dinheiro mas não sabe quanto é que os jogadores querem”. É relevada a importância do papel a desempenhar pelo guarda-redes.
Carela e Godinho encontram-se no “Net Café”. A PJ está a vigiar e a fotografar. Ambos seguem depois para o Gaia Shopping, onde se encontram com Nuno Silva e Hugo Moedas. Conversam algum tempo e Nuno Silva dá boleia de novo a Moedas até Matosinhos.
Logo a seguir, Nuno Silva encontra-se com Carlos Oliveira, a quem terá dado conta da conversa mantida com Hélder Godinho. Mais tarde, ao telefone, Silva e Oliveira têm uma conversa na qual o presidente leixonense pergunta ao diretor desportivo se “o outro gajo deu novidades”, com Nuno Silva a dizer que vai ter com ele.
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Em tribunal, ao ser confrontado com a escuta, Carlos Oliveira disse que se estava a referir ao fornecedor das camisolas, que se atrasava constantemente.
Moedas e Carela falam ao telefone e dizem que Nuno Silva quer que Godinho confirme se aceita para poder de algum modo dar uma garantia a Carlos Oliveira. Moedas e Carela comentam que em princípio iriam dar 15 mil euros para o efeito.
Nuno Silva é apanhado a afirmar que acha que o treinador do Leixões, Pedro Miguel, “quer roubar” o presidente do Leixões. Moedas reafirma que o dinheiro era para o guarda-redes.
Por razões não apuradas, mas de que se suspeita estarem relacionados com o facto da garantia da vitória do Leixões ter sido obtida através de outros intermediários, Carela e Moedas aparentemente acabaram por não receber nem entregar o dinheiro prometido aos jogadores envolvidos. Fala-se de “conversas suspeitas” dos presidente do Leixões nos dias anteriores com dirigentes e outros jogadores da Oliveirense.
 

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