José Veiga, Vieira, Pinto da Costa, Figo, Sérgio Conceição. Este homem estava mesmo em todas!

Está em curso a Operação Lex, mais um espetáculo da polícia portuguesa, sempre com esta a partir do pressuposto que podemos não ter corpo para isso mas nada melhor que um bom vestido para disfarçar a falta de meios. Todos sabemos como acabam normalmente estes mega processos.

José Veiga volta à liça, embora de forma indireta, por via uma certidão de um processo seu, num processo que envolve também o presidente do Benfica.

Todos sabemos o que aconteceu entre Veiga e Vieira. O atual líder do Benfica tratou de despachar o antigo presidente da Casa do FC Porto logo que a equipa encarnada quebrou um longo jejum com o título conquistado em 2005, sob a batuta de Trapattoni e com Veiga a comandar o futebol.

Como dirigente do Benfica, Veiga marcou pontos e provavelmente causou algum efeito sombra sobre Luís Filipe Vieira. Mas foi na sua relação com o FC Porto que o empresário que levou Figo do Barcelona para o Real Madrid brilhou. Atente-se no seu histórico de negócios com o FC Porto.

1994
Emerson compra Belenenses
Fernando Couto venda Parma
1995 
J.Manuel Pinto compra Belenenses
Emerson venda Middlesbrough
Zahovic compra V.Guimarães
Butorovic compra* H.Split
1997
Domingos venda Tenerife
Peixe compra Sporting
Costinha compra Sporting
Krajle compra H.Split
1998
Fehér compra Gyor Eto
Chainho compra E.Amadora
1999
Doriva venda Sampdoria
Zahovic venda Olimpiakos
Rodolfo compra E.Amadora
P.Ferreira compra E.Amadora
S.Conceição venda Lázio

No seu percurso como empresário, Veiga esteve também no comando do processo que levou Paulo Sousa do Benfica para o Sporting e foi com ele que Jardel e João Vieira Pinto se tornaram jogadores do Sporting. Teria mão também nas contratações pelo Benfica de Simão Saborosa, Nuno Gomes, Zahovic e Drulovic, entre muitos outros.

                                A história de uma ligação que acabou mal

José Veiga e Pinto da Costa acertaram muitos negócios, mas o caldo entornou aquando da transferência de Sérgio Conceição para a Lazio em 1998, a maior até à altura da história do FC Porto: 9 milhões de euros.

Esta transferência deu origem mesmo a um processo de Pinto da Costa e Reinaldo Teles contra Veiga, o homem que o líder e criador dos dragões conheceu na qualidade de presidente da casa do FC Porto no Luxemburgo e que ajudou a lançar-se no mundo do futebol como empresário de jogadores e treinadores. O presidente do FC Porto pedia uma indemnização de 350 mil euros e arrolou como testemunhas os empresário Paulo Barbosa, Jorge Mendes e Luciano d’Onofrio, entre outros notáveis do mundo do futebol. No rol das testemunhas de Veiga constava mesmo um funcionário de um banco luxemburguês, Théo Malget, para além de todo o “staff” da Lazio. Tudo por causa de uma entrevista dada por Veiga à revista do jornal “Expresso”, na qual falou de uma conta de Pinto da Costa no Luxemburgo.
Empresário sentiu-se lesado em dois milhões na transferência de Sérgio Conceição para a Lazio
 O julgamento, que decorreu no Porto, em 2004, no mês de outubro, poucos dias antes de Pinto da Costa ser alvo de um mandato de detenção na sequência do processo “Apito Dourado” (em dezembro), chegou a começar. Logo na 1.ª sessão, José Veiga ameaçou contar tudo o que sabia sobre alguns negócios feitos com o FC Porto. O empresário afirmou que cobrava comissões que não iam parar integralmente ao seu bolso, garantindo saber “quem em cada caso beneficiou dessa distribuição”.

Veiga, que seria mais tarde diretor desportivo do Benfica, estando na base do título conquistado pelos encarnados em 2005, disse que tinha conseguido acertar com a Lazio de Roma a compra de Conceição por 11 milhões de euros, tendo sido auxiliado no negócio por Alexandre Pinto da Costa, filho do presidente portista (que só há dois anos se reaproximou do pai, depois de muitos anos de relações frias). Tendo Pinto da Costa garantido que não seria necessário consultar o empresário do jogador, Luciano d’Onofrio. Mas o presidente da Lazio, sem o conhecimento de Veiga, acaba por vir ao Porto e o negócio faz-se por nove milhões de euros. Veiga fica de mãos a abanar e reclama 900 mil euros em comissões relativas a um negócio que garante ter sido ele a acertar. O empresário nascido em Seixo de Ansiães, em trás-os-montes, fez mesmo questão de se dirigir à Torre das Antas, onde ocorreu, como contou, “uma violenta discussão”. Para o empresário, o FC Porto fora lesado em dois milhões de euros.”José Veiga foi traído e ludibriado”, concluiu o próprio Alexandre Pinto da Costa no livro de Camilo Lourenço e José Marinho sobre o percurso de José Veiga, editado em 2007.

Pinto da Costa acusava também Veiga de ter atentado contra o seu bom nome ao chamar-lhe “velho” na tal entrevista e de também de lhe ter um ódio de estimação. Ódio que Veiga considerou “puramente profissional”.

Após seis tentativas de conciliação entre as partes empreendidas pelo juiz e quando se pensava que o julgamento ia ter mais sessões, Pinto da Costa desistiu da queixa na sequência de polémicas entrevistas de ambos os contendores ao jornal “O Jogo”, com Veiga a ameaçar “despejar o saco”. Ambas as partes suportaram as custas judiciais.

 

 

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