Parabéns, grande Leixões

Não sou do tempo do campo de Santana mas sou bem do tempo do velhinho Estádio do Mar, construído tijolo a tijolo e cabaz a cabaz de sardinha. Sou do tempo da bancada de pau do clube dito da Cruz de Pau. Do meu grande e enorme Leixões.

Do Leixões dos meninos de Óscar Marques que também quis ser mas de que desisti face a tanta concorrência no treino de captação, apesar de ir recomendado pelo meu pai, que foi presidente do clube. Acabei a dar uns chutos no ringue e foi o melhor que consegui.

Mas antes já tinha vestido o manto sagrado no mini-basquete que joguei no Filatético, camisola que viria a vestir também nos juvenis do andebol. Desculpem se não consegui ir mais longe na minha carreira de atleta leixonense mas para mim bastou e é algo que me acompanhará toda a vida.

Vi muitos jogos do Leixões entre fumo de cigarros e caralhadas na tal bancada de pau, não esquecerei nunca como encontrei no hospital de Matosinhos a equipa de arbitragem dirigida por Santos Ruivo após uma tarde sangrenta, como não esquecerei nunca aquele dia em que vi jogar o Eusébio no Mar, com a camisola do Beira-Mar ou do U.Tomar, já não sei – mas, sim, era mesmo o Eusébio.

O meu Leixões é também o Horácio, o Esteves (o meu ídolo), o Praia, o Folha, o Frasquinho, o Moisés, o Licínio, o Albertino, o Zé Manel Karateca, o Adriano, o Barbosinha e outros tantos que brilharam com a camisola que pode ser convertida em pano de barraca de praia.

O meu Leixões é ainda o Leixões que vi a percorrer de joelhos, na pessoa do Azevedo, no relvado do 1.º de Maio, quando nos apuramos para a segunda final da Taça de Portugal.

Dizem que fui concebido na noite em que o Leixões conquistou a Taça de Portugal de 1961 e quero acreditar nisso. Não pode ser de outra maneira!

Tive, ainda, a alegria de poder ver o Leixões, equipa da 2.ª B, a disputar um jogo europeu em Salónica e, sim, também estive no Jamor, naquela tarde de sombra em que fomos batidos por Jardel e Olegário Benquerença.

Hoje não sou sócio mas adepto nunca deixei de ser. Não sou um leixonense melhor que todos os outros. Sou apenas mais uma pessoa feliz na passagem do 110.º aniversário do Grande e Enorme Leixões. Da eterna equipa do mar que amamos.

 

 

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