Não transformem a Taça de Portugal em mais um veículo de negócio

Como todos sabem, o FC Porto vai defrontar o Lusitano de Évora no Restelo e o Benfica vai bater-se com o Olhanense no Estádio do Algarve. Só o Sporting, entre os 3 grandes, vai jogar no recinto do Oleiros.

A Taça de Portugal há muito tempo que já não é o que era, com os seus tomba gigantes a fazerem história. Podem dizer mesmo, até quando jogavam no recinto dos grandes. É verdade. Mas festa da Taça só era festa quando um grande visitava um estádio com vista para o pinhal e com balneários apenas com um urinol a funcionar mal.

Lembro-me bem de ter conhecido parte deste país graças ao sorteio da Taça de Portugal, para ver estádios a abarrotar de povo e uma equipa pequena a transcender-se. Era a Taça de Portugal tal como foi concebida.

Os tempos mudaram e hoje o futebol é, como se diz, um negócio. As televisões têm exigências e acima de tudo está a faturação. Talvez seja eu a estar errado mas a verdade é que tenho saudades da Taça de Portugal que nos fazia viajar de autocarro ou comboio por esse país fora para conhecer histórias e pessoas.

Assisti a alguns tombos dos gigantes e um deles foi o FC Porto-Atlético disputado em janeiro de 2017 já no Estádio do Dragão, quando um golo de David Costa, aos 59′, deu a vitória à equipa de Toni Pereira. O FC Porto mandou duas bolas ao poste e Quaresma falhou um penálti em cima do minuto 90.

São estes momentos que ficam também para a história, para além da galeria dos vencedores da competição que se estreou em 1939. substituindo o tal Campeonato de Portugal que tanto baralhou as contas a Bruno de Carvalho.

Na sua génese, a prova funcionava sob uma lógica propagandística inserida no espírito do Estado Novo que visava levar o futebol a todo o pais, cedo ficando conhecido como “a festa do futebol”, como muito bem fizeram notar João Nuno Coelho e Francisco Pinheiro no incontornável “A Paixão do Povo” (Edições Afrontamento, 2002).

A competição começou a duas mãos mas em 1971 passou para um só, de forma a dar mais chances às equipas mais fracas, quando o seu vencedor já tinha acesso, desde 1961, à Taça dos Vencedores das Taças – o Leixões, que venceu (2-0) o FC Porto numa final disputada no Estádio das Antas, foi a primeira equipa portuguesa a participar nessa competição e com uma participação histórica, deixando para contar aquela que é ainda a maior remontada das provas europeias.

A Taça de Portugal continua a ser a festa do povo? Sim, continua.

Mas, manifestamente, já não é o que era.

 

 

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