Fomos enganados, CR7 não é dos nossos, afinal é um alienígena

Lá como cá. Não importa onde. O futebol é um fenómeno que sobrevoa a racionalidade e no qual emerge facilmente a explicação mais fácil para os insucessos. “Fomos enganados”, queixa-se o fleumático Rummenigge, que nos habituamos a ver a espalhar perfume nos relvados. Cristiano Ronaldo resolveu para o Madrid e não houve vídeo-árbitro – ‘bora lá pessoal assinar mais uma petição. O erro no futebol é perfeitamente admissível quando favorece as nossas cores, é um crime quando acontece o contrário. Aqui é tudo preto e branco. Neste caso, foi branco. Madrid exulta de novo com as suas maiores equipas na fase seguinte da Champions e de Barcelona, onde as coisas estão difícil, não brota qualquer pedaço de nacionalismo. Foi um suíço que fundou o Barcelona, bem entendido.

O resto parece ser o que menos interessa. Cristiano Ronaldo a eternizar-se nos relvados, golo 100 na Champions, e a sensação cada vez mais forte que temos o privilégio de estarmos a assistir na primeira fila à História do futebol. O deus continua a passear-se nos relvados. O ruído que se produz não é mais do que isso – o que importa é epifania das desmarcações, das fintas, dos golos e dos festejos do miúdo que deixou muito cedo uma pequena ilha do Atlântico para se tornar do tamanho do mundo.

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