Opinião: Os Donos da Bola

Já conheci muitos presidentes e se há algo que mudou pouco no futebol foi precisamente o modo de ser presidente de um clube. A perpetuação no poder é factual – Pinto da Costa, por exemplo, completou hoje 35 anos de liderança – e a política de terra queimada em relação a qualquer oposição também. O Sporting foi exceção quando Bruno de Carvalho, mesmo perdendo na primeira vez, conseguiu superar uma oligarquia que com Luís Duque e Dias da Cunha tinha conseguido dois títulos mas que depois se contentou com o facto de todos os anos o Sporting superar o Benfica, deixando o FC Porto a bolinar tranquilamente.

Mas se é verdade que Bruno de Carvalho acabou com uma linhagem que se alavancava em fortunas pessoais ou no BES, também é preciso dizer que rapidamente se transformou num presidente igual aos outros. Para ele, e para Pinto da Costa e Vieira, o poder é um dado adquirido e o caminho aponta sempre para o reforço da liderança. Tudo converge nos presidentes, das claques às vozes mais libertárias, passando, também, pelas centrais de propaganda.

Obviamente, há diferenças de estilos entre os três presidentes. Pinto da Costa é um dinossauro que se mantém fiel às suas estratégias e Luís Filipe Vieira, com 5 campeonatos conquistados após uma longa travessia do deserto, tornou-se incontestável no Benfica. Pinto da Costa pode até não vencer este campeonato que ninguém o tirará da cadeira da poder.

A posição de Bruno de Carvalho, apesar do último resultado eleitoral, é mais frágil. Os adeptos do Sporting estão cansados do “quase” e o clube subiu de tal modo a parada que corre sempre o risco de ter de vender os seus melhores ativos no final de cada temporada, o que fragiliza sempre o plantel que se segue. Ou seja, BdC ainda não consolidou a sua posição como presidente do Sporting mas está…quase. Por isso mesmo continua a disparar para todos os lados, como acontece agora, com a ameaça de expulsão de sócios (o que não é novidade). Recorde-se que o FC Porto fez o mesmo com José Maria Pedroto, na década de 60, e depois foi duas vezes campeão com o Zé do Boné.

BdC tem como vantagem a sua juventude mas no resto corre sempre na pista 8. Tem de correr sempre mais nas curvas para chegar com pulmão à reta final. Já muitos lhe vaticinaram a queda mas a verdade é que continua na corrida. Este ano já não será primeiro mas os adeptos do Sporting só precisam que faça tropeçar quem neste momento vai à frente.

Por aqui se percebe como o futebol não é diferente da política ou da indústria. Não interessa muito o que se vende, o mais importante é não perder poder de compra e influência. Por isso mesmo, não sou muito de criticar os jogadores quando estes desatam aos beijinhos ao respetivo emblema.

                                                                                                                                              E.Q.

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