Jogo Duplo: O que aconteceu no jogo Oliveirense-Leixões

O jogo Oliveirense-Leixões é uma das peças principais do processo Jogo Duplo pois envolve um clube que corre o risco de ser punido por tentativa de corrupção (perda de pontos) ou corrupção efetiva (despromoção) embora haja margem para a defesa rebater os argumentos da acusação pois esta baseia-se muitas em escutas telefónicas, recurso que na altura a lei ainda não considerava legítimas em processos de corrupção desportiva e que levou mesmo a que o processo originário do Apito Dourado, relativo ao Gondomar, caísse no Supremo (a lei entretanto já foi mudada pela FPF e agora o recurso a escutas está legitimado pois a moldura penal foi elevada).

Mas vamos seguir passo a passo o que aconteceu neste Oliveirense-Leixões que a equipa de Matosinhos precisava de vencer, como venceu por 2-1, com um golo já perto do final da partida que provocou o delírio entre os seus adeptos, que estavam longe de imaginar que a PJ estava no estádio pronta para deter o presidente do clube e o diretor desportivo. A PJ, aliás, queria fazer as detenções também dos jogadores da Oliveirense envolvidas ao intervalo e só não o fez porque o comandante das forças policiais pediu penhoradamente, de forma a evitar a alteração da ordem pública. A verdade é que os adeptos do Leixões presentes em Oliveira de Azeméis só souberam das detenções quando os autocarros regressaram ao Estádio do Mar, onde se encontrava uma brigada da PJ com Carlos Oliveira e Nuno Silva, fazendo buscas às instalações.

12 de maio, de 2016. Aranha, Gustavo Oliveira, Rui Dolores, João Carela e Hugo Moedas mantiveram diversos contatos telefónicos com alguns jogadores da Oliveira, com o objetivo de manipular o jogo contra o Leixões. Nuno Silva e Carela falam ao telefone e abordam os problemas financeiros da Oliveirense, onde os jogadores fizeram uma greve aos treinos por atraso nos pagamentos. Nuno Silva diz que o presidente do Leixões, Carlos Oliveira, e o treinador da equipa de Matosinhos, Pedro Miguel, que entretanto voltou à Oliveirense “também estão a trabalhar”, sugerindo Carela que mais valia “ele dar ali a um ou dois e estava feito”. Carela afirma que pretendia tomar café com Nuno e informa que vai estar com os jogadores da Oliveirense no “Net Café”, na Feira. À hora do almoço, Carela diz por telefone a Nuno Silva que os jogadores querem estar com ele.  Carela diz que vai estar com os jogadores referidos e ainda com o defesa esquerdo e que estes falam através de códigos no WhatsApp.  Nuno Silva diz que sabe que o presidente do Leixões e Pedro Miguel se estão a mexer por outro lado, que há dinheiro mas não sabe quanto. Nuno Silva pede a Carela para apurar quanto querem os jogadores. Falam ainda do papel relevante que o guarda-redes pode ter. Carela e o guarda-redes Hélder Godinho encontram-se no “Net Café” e seguem para o Gaia Shopping, onde se encontram com Nuno Silva e Hugo Moedas, que vai de boleia com o diretor desportivo leixonense. Conversam durante vários minutos. Nuno Silva dá boleia a Moedas até Matosinhos e encontra-se a seguir com Carlos Oliveira, a quem dá conta da conversa mantida com Hélder Godinho. Carlos Oliveira pergunta a Nuno Silva se “o outro gajo deu boas novidades” e este responde que vai ter com ele às 18 horas. Mais tarde, Carlos Oliveira disse ao juiz de instrução criminal que quando pediu novidades estava a falar de camisolas. À noite, Moedas e Carela falam ao telefone sobre a vontade de Nuno Silva em que Hélder Godinho confirme se aceita o que lhe foi proposta. É aqui se fala de 15 mil euros. Carela diz a Moedas que Nuno Silva acha que o treinador do Leixões quer roubar o presidente do clube.

13 de maio. As mesmas pessoas atrás referidas fazem uma vídeo chamada para Steve, para acertarem detalhes. Desde 8 de maio que, segundo a investigação, Nuno Silva, diretor desportivo do Leixões, estava em negociações com Carela e Moedas, antigos jogadores do Leixões. O objetivo era o de chegar junto dos jogadores da Oliveira Hélder Godinho, guarda-redes, que foi suplente no jogo, e Luís Martins, defesa,

14 de maio. Ao telefone, Carela e Moedas referem que caso o Leixões garantisse a permanência na 2.ª Liga os seus dirigentes teriam de falar com eles. Entretanto, Yap e Steve desinteressam-me por manipular o jogo para efeito das apostas desportivas, apesar da disponibilidade de alguns jogadores do clube de Oliveira de Azeméis.

Por razões “não concretamente apuradas”, mas de que há suspeitas que estarão relacionadas com a garantia de vitória do Leixões, Carela e Moedas “aparentemente acabaram por não receber nem entregar o dinheiro prometido e aceite por Hélder Godinho, Luís Martins e Pedro Oliveira.

Jogo entre a Oliveirense e o Leixões, a contar para a 44.ª jornada da 2.ª Liga, inicia-se às 15 horas, sob a arbitragem do bracarense Manuel Mota. Uma das bancadas está cheia de adeptos do clube de Matosinhos e regista-se um forte aparato policial. O jogo segue morno quando Pedras coloca o Leixões na frente. É grande a festa entre os leixonenses. Mas Ansumane Faty (também arguido neste processo!), que saltou do banco, empata aos 73 minutos. Há lágrimas na bancada dos adeptos do clube do Mar, até que o tunisino Slim, a 3 minutos dos 90, consegue marcar. Há uma invasão de campo e o jogo demora algum tempo a ser retomado. Carlos Oliveira chora no camarote, onde, após o fim do jogo, quando se queria dirigir ao balneário, é confrontado com a presença da PJ. Os adeptos leixonenses fazem a festa e não se apercebem das detenções de Carlos Oliveira e Nuno Silva.

 

 

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s