O Caso Saltillo – capítulo 2 (O Caminho para o Mundial)

cm.jpg

Para chegar ao México, a seleção nacional teve de percorrer um longo caminho. Há 20 anos que Portugal não estava presente numa fase final do Mundial, depois de ter brilhado no Mundial de 66, quando Eusébio foi entronizado como um dos melhores jogadores da história do futebol.

Ainda com o sabor amargo da campanha do Euro 84, na qual Portugal só foi afastado da final no prolongamento, num inesquecível jogo frente à França de Platini, a qualificação para o Mundial do México arrancou com uma vitória na Suécia por 1-0, com o golo luso a ser apontado por Fernando Gomes, aos 79 minutos. Para além do goleador portista, José Torres fez alinhar, no jogo disputado em Estocolmo, Bento, João Pinto, Eurico, Lima Pereira, Inácio, Carlos Manuel, Jaime Pacheco, Frasco, Sousa e Diamantino. Vermelhinho e Futre também fizeram uma perninha. O novo selecionador nacional apostava numa equipa de tons azuis e brancos, com seis jogadores do FC Porto num onze com dois recentes ex-jogadores deste clube, Jaime Pacheco e António Sousa, que no início dessa época se tinham transferido para o Sporting.

Torres foi escolhido para treinar a seleção nacional após a fase final do Euro 84, quando Portugal esteve sob o comando de quatro treinadores: Toni, António Morais, José Augusto e Fernando Cabrita. A chamada “comissão técnica” sucedeu ao brasileiro Otto Glória durante o apuramento para a competição que decorreu em terras gaulesas. O veterano técnico brasileiro não resistiu à derrota por 5-0 frente à Rússia, em Moscovo. O guarda-redes Bento justificou então o desaire com o facto de ter faltado fruta à seleção antes do jogo mas quem escorregou na casca de banana foi o senhor Otto, um treinador já entrado na idade e que tinha sido o responsável pela seleção, ao lado do selecionador Manuel da Luz Afonso, no Mundial de 66.

A campanha portuguesa rumo ao México seguiu com vento pela popa quando Portugal recebeu e bateu a Checoslováquia, num jogo que decorreu em outubro de 1984 no Estádio das Antas, onde a equipa de todos nós desta vez alinhou com 7 jogadores do FC Porto no onze, com a entrada de Jaime Magalhães. Mas seriam dois jogadores do Benfica, Diamantino e Carlos Manuel, cada um com um golo, a resolver a partida que acabou com o resultado de 2-1.

Festa preparada em Alvalade no 3.º jogo, na receção à Suécia. Portugal adianta-se no marcador com um golo de Jordão mas o resto da história do jogo cabe num balde de água fria. A Suécia de Thomas Ravelli marca 3 golos e vence.

O jogo seguinte serviu para animar a…Malta. Vitória por 3-1 em La Valleta, com um bis de Fernando Gomes e um golo de Carlos Manuel. Importava sobretudo ver como Portugal se comportaria quando recebesse a Alemanha, o que aconteceu em fevereiro de 1985, no Estádio Nacional. Não correu nada bem. Os alemães venceram por 2-0, com golos de Voller e Littbarski.

Derrota em cima de derrota, agora na Checoslováquia, por 1-0. Todos os sinais de alerta acionados. Mais uma vez Portugal arriscava-se a falhar uma fase final do Mundial.

No jogo com Malta, disputado na Luz, Portugal demorou mais de 30 minutos a abrir o marcador, jogando com Gomes e Jordão no ataque. É o ponta-de-lança do Sporting quem desata o nó. Mas os malteses empatam logo no início da 2.ª parte, num lance de infelicidade para o central Frederico, que tenta atrasar a bola a Bento e faz autogolo. Ora bolas, não estava no programa de um jogo no qual Portugal precisava de encher o saco (pediam-se 6 golos), já agarrado à calculadora, num Estádio da Luz cheio de clareiras nas bancadas. Instalara-se já a descrença. Mais um canto de Carlos Manuel – a quem alguns colegas chamavam “Faustino”, em memória de um antigo jogador do V. Setúbal que fazia questão de ser sempre ele a marcar livres, lançamentos de linha lateral e pontapés de canto – e José Rafael coloca de novo Portugal na frente do marcador. Mas eis que Di Giorgio avança para a baliza de Bento, passa pelo guarda-redes português e faz de novo o empate. Gomes acaba por salvar o dia, aparecendo a emendar uma bola cruzada por Litos, após lance iniciado por Carlos Manuel.

“Deixem-nos sonhar”

Restava uma esperança. Uma terrível esperança. Vencer a Alemanha em Estugarda. Antes dessa partida, José Torre dá o mote. “Deixem-me sonhar”, pede o selecionador.

O sonho desperta numa bola que Jaime Pacheco rouba no meio-campo e que entrega a Carlos Manuel. O jogador do Benfica corre mais de 30 metros, flete para dentro e dispara de pé direito. Schumacher é o primeiro a confirmar o golo do “herói de Estugarda”. Portugal está no Mundial do México.

O mais difícil estava feito e Portugal voltava à boca de cena do futebol mundial, com presenças consecutivas em fases finais do Europeu e do Mundial.

No ano de preparação para o México, nem por isso a nação futebolística se concentrou nesta missão. A bola continuou a rolar no campeonato. O FC Porto de Artur Jorge, antecipe-se já esta história, foi bicampeão, terminando a prova com dois pontos de vantagem sobre o Benfica e três sobre o Sporting, quando a vitória apenas valia dois pontos.

Mas em meados de fevereiro era o Benfica que comandava o campeonato, com dois pontos de avanço sobre FC Porto e Sporting. A seleção nacional ia jogar com a RDA, em Braga, na preparação para o Mundial, e a novidade é a chamada do jovem central benfiquista Oliveira. Pedro Xavier, então na Académica, também é notícia pela sua chamada. Mas era sobre Frasco que incidiam as luzes, a propósito do seu regresso à seleção, após o seu desaparecimento da fase final de apuramento para o Mundial e também dos jogos de preparação com a Finlândia e o Luxemburgo. O jongleur formado no Leixões garantia que Portugal estava ainda mais forte que no Euro 84.

Portugal perde por 3-1 com a RDA e Gomes tenta salvar a honra de convento com um golo de penálti. José Torres entra com Bento na baliza, uma defesa formada por Veloso, Frederico, Morato e Inácio, um meio-campo com Frasco, Nunes, Carlos Manuel e Jaime Pacheco, e um ataque com a dupla Diamantino/Gomes. “É para relembrar, não é para esquecer”, foi o aviso que José Torres deixou no final da partida, ele que foi criticado por ter utilizado uma defesa em linha que esteve longe de ser um muro para os alemães de Leste.

Mais uma ronda do campeonato e um caso que fez correr muita tinta. O Salgueiros-Benfica dura apenas 45 minutos porque o árbitro Miranda Dias entendeu que o campo não estava em condições, depois de ter sido batido por muita chuva. O placard registava um empate a uma bola. Quando nos altifalantes de Vidal Pinheiro foi comunicado o fim da partida, o caldo entornou-se, voaram pedras e houve invasão dos balneários. O árbitro manteve-se firme e mandou dizer que sairia do estádio nem que fosse de helicóptero. Entretanto, o FC Porto bate a Académica por 2-1, em Coimbra, com um golo de André de penálti (muito contestado) a decidir, aos 92 minutos. O árbitro Rosa Santos negou ter sido agredido no final da partida e teve dificuldade também em sair do estádio. Quanto ao Sporting de Manuel José, venceu o Portimonense por 4-2 e Vítor Oliveira, então treinador dos algarvios, disse que a sua equipa não tinha jogado contra 11 mas sim contra 14 (Manuel Fernandes fez dois golos da marca dos 11 metros).

No final de fevereiro, Chalana, que vinha a recuperar de uma lesão, depois de se eclipsar com a camisola do Bordéus, falta a um exame médico. José Torres confirma uma lista de 50 jogadores pré-convocados mas diz que a mesma é secreta. Cresce a tensão sobre os 22 eleitos para a fase final do Mundial. O selecionador dava apenas uma garantia: “Não há jogadores estrangeiros nessa lista”. Deco tinha apenas 9 anos e ainda estava no Brasil.

A seleção treina no Jamor e Fernando Gomes é assobiado. O goleador portista marca 3 golos na peladinha. O povo não é sereno e nem sempre consegue despir as camisolas dos clubes quando está em causa a equipa dita de todos nós.

Mais uma ronda do campeonato, com o Benfica de Mortimore a bater o Penafiel por 2-0 na Luz, com golos de Shéu e Oliveira. O líder FC Porto, por seu lado, goleia o Belenenses por 5-0, com golos de Madjer (2), Futre, Jaury e Gomes. O Sporting cai no Bessa (1-2) perante o Boavista de João Alves, 5.º da classificação.

A polémica sobre os potenciais “mexicanos” está ao rubro apesar do secretismo da tal lista. Eurico, central do FC Porto, único jogador português sagrado campeão nos três grandes, é um dos protagonistas desta guerra. Ainda com a perna engessada e a recuperar de uma grave lesão, o jogador não quer falar mas faz passar a mensagem de que durante o seu calvário ninguém da seleção quis saber do seu estado e que, por isso, talvez não o queiram ver no México.

Há clássico em Alvalade. O FC Porto vence por 1-0, com um golo de Celso, de livre. Manuel José atira a toalha ao chão. Artur Jorge queixa-se de que os jogadores do Sporting “tentaram destruir o Futre”. O Benfica, por seu lado, vence o Desportivo das Aves por 1-0, com um golo de Manniche, e mantém-se na corrida do título, com os mesmos pontos do FC Porto e um jogo a menos.

José Torres, entretanto, dá uma grande entrevista a Manuel Sérgio. O hoje “mentor” de Mourinho e Jesus, já na altura uma autoridade na área, lança a conversa com três perguntas no mínimo curiosas, inquirindo o selecionador sobre a sua fama de não conseguir ser um disciplinador, a de nem sempre escolher os melhores jogadores e de nem sempre ter os melhores processos. “Pode crer que sou um homem com ética e dela não abdico”, vê-se o Bom Gigante compelido a afirmar, face a um mais que provável embaraço. Mas Manuel Sérgio não desarma e pergunta: – É dentro dessa mesma ética que defende a presença das mulheres dos jogadores no México? “Inteiramente”, responde o selecionador. Que passa a explicar: “Como sou muito amigo da minha mulher e sinto que a sua presença me é benéfica, admito perfeitamente que os jogadores também com uma vida conjugal feliz encontrem no convívio com as suas mulheres o estímulo e a tranquilidade que doutra forma dificilmente conseguirão”. Quanto à tranquilidade, nada podemos acrescentar. Quanto aos estímulos, o facto de algumas semanas mais tarde se ter ficado a saber que os jogadores selecionados não se podiam fazer acompanhar das suas esposas ou namoradas nem por isso pôs em causa a qualidade dos mesmos.

Em meados de Março, o Benfica afasta o Sporting da Taça de Portugal com um expressivo 5-0, na Luz, com golos de Rui Águas, Vando (2), Álvaro e Manniche. No final, Bento afirma ironicamente: “Hoje, o Benfica jogou à Penafiel”.

A 25.ª jornada do campeonato faz alguns jornais anunciarem o título para o Benfica. Os encarnados batem o Desportivo de Chaves por 4-0 e o FC Porto empata nas Antas a uma bola com o Boavista. João Alves reclama mesmo o prémio da vitória no final da partida, quando acontece o insólito de um comissário da polícia agredir um dos seus agentes à bastonada, levando-o a receber assistência hospitalar.

“O árbitro é um gatuno”

Na jornada seguinte, o FC Porto vence o Portimonense por 4-0 e o Benfica empata em Braga a uma bola. Liderança de novo partilhada. É tempo de o Benfica acertar o calendário e repete-se o jogo interrompido de Vidal Pinheiro. Os encarnados não conseguem melhor que um empate a uma bola, com Rui Águas a fazer o empate aos 77 minutos. O Benfica anuncia o protesto do jogo apitado pelo árbitro de Évora João Rosa. “O árbitro é um gatuno”, afirma o presidente do Benfica, Fernando Martins, alegando que houve uma bola dentro da baliza salgueirista que não contou como golo e irregularidade no tento apontado por Armando, a quem também chamavam “Pelinhas”. Nesse tempo, por incrível que pareça, os árbitros comentavam os jogos e, por isso, João Rosa disse no final que conseguiu “levar o barco a bom porto”. Humberto Coelho fazia sensação como treinador do Salgueiros.

Outro central com dificuldade em carimbar o passaporte para o México era Venâncio, a contas com uma lesão congénita. “Não estou preocupado que me roubem o lugar”, disse, numa entrevista a António Magalhães, então intrépido repórter da “Gazeta” e hoje diretor do “Record”.

No final de Março, o FC Porto empata a uma bola no terreno do Marítimo. A equipa comandada por António Oliveira, antiga glória portista, empata no último minuto. É a primeira vez que na Madeira há controlo anti-doping. O Benfica, por seu lado, cumpre na Luz e vence a Académica por 1-0, com um golo de Rolão na própria baliza. Diamantino agride Porfírio e deixa-o inconsciente. Na 2.ª Divisão, Jorge Jesus é rendido aos 75 minutos por Pinto da Rocha, no empate do Estrela da Amadora em Olhão.

Entretanto, começa a conhecer-se a famosa lista secreta dos 50 pré-convocados. Estão lá 13 jogadores do Sporting: Damas, Gabriel, Oceano, Litos, Morato, Manuel Fernandes, Carlos Xavier, Venâncio, Fernando Mendes, Sousa, Jaime Pacheco, Mário Jorge e Jordão.

Em França surge a notícia de que Fernando Chalana, o ‘Pequeno Genial’ (assim batizado por José Neves de Sousa), está clinicamente perdido para o futebol. O Bordéus tentava fugir com o rabo à seringa, ou seja, não queria pagar tudo o que ainda devia ao Benfica pela transferência do extremo, que valeu 220 mil contos (pouco mais de um milhão de euros).

Futre dava-nos uma entrevista de duas páginas na qual garantia que andava a dormir dez horas por dia e que estava a tentar deixar de fumar. Há dois dias que não punha um cigarro na boca, garantiu-nos. “Acho que é desta”, disse-nos. Não parece ter sido para o craque que na altura considerou os árbitros os seus piores inimigos.

Ronda 28 e o Benfica a manter a vantagem de 2 pontos sobre o FC Porto. Os azuis e brancos vencem o V. Guimarães por 1-0, nas Antas, com um golo de André, de penálti. António Morais, técnico dos vitorianos e antigo braço direito de Pedroto que comandara o FC Porto na final da Taça das Taças frente à Juventus de Platini, é recebido com uma ovação. Quanto ao Benfica, venceu também por 1-0 no Restelo, com um golo de Manniche, também de penálti. Henri Depireux, o treinador dos azuis, declara que o jogo foi apitado não por Miranda Dias mas por Carlos Manuel. “Eu sou louco ou quê? Ia lá meter mão à bola sem ninguém ao pé de mim”, queixava-se, por sua vez, o defesa Alberto.

Na Moita, a sua terra, Carlos Manuel é homenageado e chora. Numa entrevista a Fernando Soares e José Carlos Fialho, o médio do Benfica considera que o FC Porto tem o melhor plantel e queixa-se. “Ainda não acreditam no Benfica”, diz. Também afirma que não o podem acusar de querer “fazer tudo” no Benfica, garantindo que só marca cantos e livres por ordem do treinador. Deixa ainda outra garantia: “No México vamos comer a relva”. Quase acertou.

Há dérbi na Luz e o Sporting de Manuel José “oferece” o título ao FC Porto, que vence nas Antas o Beira-Mar por 3-0. Morato coloca o Sporting em vantagem e Manuel Fernandes faz o 2-0 aos 23 minutos. O Benfica só consegue reduzir aos 60 minutos, por Manniche, mas não vai mais longe. O FC Porto vence em Setúbal por 1-0, golo de Futre (que dedica o golo a Eurico). As duas equipas ficam igualadas na tabela mas com vantagem para o FC Porto, que ganhou nas Antas (2-0) e empatou na Luz. Falta apenas uma jornada para o fim do campeonato.

A lista dos 22 convocados para o Mundial é entregue por César Grácio, secretário-geral da Federação Portuguesa de Futebol, em Zurique, na sede da FIFA. Antes de ser conhecida, salta a notícia de que Manuel Fernandes, melhor marcador do campeonato, então com 29 golos (mais 4 que o vitoriano Paulinho Cascavel), não consta da mesma. “Tendo em conta que foi pedido o meu passaporte e o que tenho feito no campeonato, espero ser chamado”, reage o goleador dos leões, então a caminho dos 35 anos.

Nas Antas, o FC Porto recebe o Sp. da Covilhã, último classificado. Mas a equipa de Vieira Nunes, antigo jogador portista e cunhado do técnico deste clube (Artur Jorge), não vai facilitar. André, de penálti, abre o marcador cedo num estádio onde não cabia a ponta de um alfinete mas Artur Semedo empata e volta a marcar no início da 2.ª parte. Gomes, com dois tiros de rajada, resolve e Elói confirma mas nem seria necessário pois o Boavista batia o Benfica por 1-0 no Bessa, com um golo de Phil Walker, aos 53 minutos e mais uma grande exibição do guarda-redes Alfredo.

A lista, finalmente.

Terminado o campeonato, mas ainda com a final da Taça de Portugal por disputar, José Torres chama os 22 infantes. O central sportinguista Venâncio também aparece mas já se sabia que não iria ao México, devido a problemas físicos. O Benfica é o clube com mais jogadores no grupo, sete. Bento, Oliveira, Álvaro, Veloso, Carlos Manuel, Rui Águas e Diamantino são os benfiquistas chamados. O FC Porto cede seis jogadores: João Pinto, Inácio, Jaime Magalhães, André, Futre e Gomes. De Alvalade vêm apenas quatro jogadores: Damas, Morato, Jaime Pacheco e Sousa. A eles juntam-se três jogadores do Belenenses – o guarda-redes Jorge Martins e os centrais José António e Sobrinho – e dois jogadores do Boavista – o central Frederico e o extremo Ribeiro (este último apenas com uma internacionalização recente, frente à Checoslováquia, em Praga – e por aqui se quedaria). Estamos a 21 de abril e a FPF tem até ao dia 23 de maio a possibilidade de fazer alterações a esta lista.

A chamada de Venâncio revelou bem o nível organizacional da FPF e da seleção principal. José Torres chamou-o mas Camacho Vieira, médico do Belenenses e da equipa das quinas, só soube um dia antes da divulgação da lista que o jogador não estava em condições por ter feito recentemente uma artroscopia ao joelho. Oliveira acabou por receber, assim, um inesperado bilhete premiado.

Torres rebateu as críticas de que tinha chamado muitos defesas. Tenha-se em conta as presenças de quatro centrais (Frederico, Morato, Oliveira e Sobrinho) e quatro laterais (Veloso, João Pinto, Inácio e Álvaro), com o selecionador a explicar que chamara apenas dois jogadores para cada posição. O selecionador não tinha muitas opções para o centro da defesa. No FC Porto, onde o brasileiro Celso brilhava no eixo defensivo, Lima Pereira, com 34 anos, e Eduardo Luís, com 30 mas menos utilizado, também ficaram de fora, o mesmo acontecendo ao ainda jovem benfiquista Samuel (19 anos apenas).

“Brinca-se muito com o futebol em Portugal”

“O rei dos marcadores de Portugal fica de fora? Brinca-se muito com o futebol em Portugal”, comentava nesse dia o “L’Équipe”, a propósito de Manuel Fernandes. Mário Jorge, também do Sporting, e Jaime, que acabara de fazer uma grande época no Belenenses, jogadores que já tinham chamados por José Torres, foram outros queixosos. Quanto a Rui Jordão, já com 34 anos, Torres lamentou que não tivesse “aparecido” nos últimos jogos do Sporting mas como tal não aconteceu também ele ficou em casa.

Quem acabou por ser chamado, apesar de ter jogado pouco no FC Porto, devido a uma pleurisia, foi João Pinto. “Está recuperado e em boa condição física”, garantiu o Bom Gigante, que acabaria por não apostar nele na competição mundialista.

João Rocha, carismático presidente do Sporting, exigiu a demissão do selecionador nacional mas Amândio de Carvalho, que tinha responsabilidade diretiva sobre a seleção, garantiu que tal não aconteceria. O selecionador, aliás, seguiu viagem para Inglaterra, na companhia do seu adjunto Jaime Graça, para observar um jogo do primeiro adversário de Portugal. Os jornais garantiam que a equipa técnica portuguesa já tinha um significativo dossiê sobre a equipa comandada por Bobby Robson, possuindo “sete cassestes vídeo com jogos da Inglaterra”. Ena!

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s