O Caso Saltillo – capítulo 1

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Há uma cidade mexicana que continua no imaginário dos adeptos portugueses de futebol – Saltillo.

Volvidos 30 anos, muitos são aqueles que se recordam do que aí aconteceu no final da primavera e início do verão de 1986.

Saltillo, capital do estado de Coahuila, hoje com uma população de mais de 600 mil habitantes, é uma cidade implantada numa zona de planalto, bordejada por uma cordilheira montanhosa, a 400 quilómetros da fronteira com o Texas e a mais de 800 da capital mexicana.

No arrabalde desta cidade, a seleção portuguesa montou a sua base para os dois primeiros jogos do Campeonato do Mundo de Futebol de 1986, competição à qual Portugal voltava depois de 20 anos de ausência e embalado pela sua campanha no Campeonato da Europa de 1984, que decorreu em França, com a equipa de todos nós a conseguir, nessa ocasião, atingir as meias-finais.

Os jogos com a Inglaterra e a Polónia ir-se-iam disputar em Monterrey, capital do estado de Nuevo León, uma cidade de grande dimensão situada a escassos 80 quilómetros, e que Portugal evitou para conseguir uma maior tranquilidade mas também porque se entendeu necessário fazer uma adaptação à altitude, tendo em conta que muitos jogos do Mundial se iriam disputar em cotas elevadas.

O Motel La Torre foi a unidade hoteleira escolhida. Um motel, repete-se, e não um hotel.

O “La Torre” foi assim batizado graças à então moderna torre de 12 andares que dominava a unidade hoteleira, com quartos também na zona dos jardins, em habitações de dois pisos, em banda, numa paisagem construída com as espécies vegetais comuns dos desertos do norte do México, isto é, cactus de porte robusto e arbustos, para além de bignonas, santas ritas, hortênsias e coloridas alfombras.  Foi aí que se instalaram os “infantes” comandados por José Torres e também os 23 jornalistas portugueses que fizeram integralmente a cobertura dos acontecimentos.

Em 1986, o Motel La Torre brilhava quase como novo, com uma receção arejada, uma sala ampla para refeições, piscina nem por isso a condizer e sobretudo uma aparente tranquilidade pelo facto de se encontrar numa zona não urbanizada, a cerca de dois quilómetros do núcleo urbano de Saltillo. Para além dos jardins bem tratados, os seus clientes podiam ver, aqui e ali, alguns esquilos a espreitar nos seus apartamentos guarnecidos com camas king size e com uma zona de duche aberta onde dava quase para fazer uma festa (o que, provavelmente, terá acontecido algumas vezes, como adiante se verá).

A enorme equipa da BBC, que acompanhava a seleção inglesa, instalada num hotel de qualidade quase do outro lado da estrada, ocupou grande parte da torre do hotel, onde montou os seus estúdios e instalou o seu “staff”. Ou seja, Portugal não foi só vizinho do primeiro inimigo como também dormiu com ele.

Os jogadores portugueses ficaram instalados em onze quartos, do 120 ao 130, dois em cada quarto, desfrutando de ar condicionado e de uma televisão, apenas com alguns canais nacionais, nem sempre a funcionar devidamente, para além de telefone. Estávamos muito longe ainda da era da internet ou dos telemóveis…

O gerente do hotel era um senhor anafado de meia idade, careca, muito simpático. O mesmo acontecia com a sua esposa, também ela redondinha, de cabelo pintado de louro e passados poucos dias amiga colorida de um dos jogadores da seleção portuguesa, com quem chegou a ser vista em conversas, digamos, animadas na zona da piscina.

“Comam e bebam menos”

A seleção portuguesa, batizada com o nome de “Infantes”, em honra mista ao Infante D.Henrique e à história da infantaria portuguesa, desde logo, portanto, conotada com uma gesta, partiu de Lisboa numa sexta-feira, dia 9 de maio, para um primeiro percurso curto, rumo à cidade alemã de Frankfurt, onde pernoitou. O dia seguinte foi tudo menos sabático pois foi cumprido na ligação a Saltillo, com uma escala na cidade norte-americana de Dallas, outra na cidade do México e ligação final também por via aérea para Monterrey, com tudo a ser rematado com uma viagem de autocarro até ao Motel La Torre. Ainda estava longe a era dos charters, hoje tão comuns nas seleções e nos maiores clubes.

Quando a equipa de todos nós chegou ao seu destino estavam cumpridas 24 horas de ligações aéreas. Era meia-noite em Saltillo, 17 horas em Lisboa. E poucos foram os que pregaram olho. A viagem, essa, acabou por ser cansativa mas animada. Como o prova o comentário de uma das hospedeiras do voo da Lufthansa que levou a seleção de Frankfurt ao aeroporto de Dallas/Fort Worth, inaugurado 12 anos antes e então o último grito em inovação, com os infantes a surpreenderem-se com o facto de terem sido conduzidos num monocarril, controlado remotamente, para a zona de embarque do voo que os levaria à cidade do México.

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Mas, afinal, o que disse a charmosa hospedeira brasileira da tripulação alemã que teve ao seu cuidado os nossos jogadores? “Bebam menos e comam menos se querem ser campeões do Mundo”, disse Da Silva, provocando um coro de gargalhadas, enquanto Jaime Pacheco era o primeiro a acertar o relógio pela hora mexicana. A bonita hospedeira não teve propriamente uma tarefa fácil mas conseguiu cumpri-la com denodo, como aconteceu quando Fernando Gomes fez uma pequena birra pelo facto de não poder arrumar o seu fato sem que este corresse o risco de ficar dobrado. O chefe de cabina deu uma ajuda a resolver o problema, ou não tivesse sido ele também um oficial do mesmo ofício de Gomes, nem mais nem menos que Fischer, guarda-redes do Colónia durante dez épocas.

Durante o voo de 11 horas, os jogadores viram o filme “A Honra dos Padrinhos”, sucesso do ano anterior, com realização de John Huston e com Jack Nicholson a protagonizar o papel do gangster Charley Partanna. Uma história da mafia mas também uma história de amor que valeu a Angelica Huston um Oscar da academia de Hollywood em 1986.

José Torres, o selecionador nacional, foi um dos poucos que conseguiu dormir durante o longo voo. A maioria dos jogadores aproveitou o facto de o avião não chegar à meia casa para ocupar os lugares da cauda para animados jogos de cartas. Escusado será dizer que em 1986 era precisamente nesse local que era permitido fumar nos aviões.

No FC Porto, os sócios tinham acabado de mandatar a direção liderada por Pinto da Costa para fazer uma trégua circunstancial no corte de ligação com alguns clubes. Pinto da Costa prometeu continuar a investir no futebol mas disse “não” a um sócio que propôs a aquisição de um placard eletrónico para o Estádio das Antas

Entretanto, a bola continuava a rolar, indiferente às ambições dos infantes e ao naipe de trunfo. A seleção de sub-21 portuguesa perdia por 2-1 com a Rússia no Torneio de Toulon, sob a direção de Juca e com João Sérgio na baliza, a defesa formada por Jaime, Carvalhal, Samuel e Justiniano, o meio-campo com Mito, Bobó e Rui Pedro e um ataque armado por Augusto, Chico Faria e Júlio Sérgio (uma safra que não iria conhecer o sucesso daquela que viajava para Saltillo). Ao mesmo tempo, o Elvas de Carlos Cardoso batia por 2-1 o U. Madeira de Mourinho Félix, na “Liguilla” de promoção à 1.ª Divisão, na qual competiam ainda Varzim (comandado por Henrique Calisto) e Aves (liderado pelo professor Neca), que empataram a zero bolas na primeira ronda. No FC Porto, os sócios tinham acabado de mandatar a direção liderada por Pinto da Costa para fazer uma trégua circunstancial no corte de ligação com alguns clubes. Pinto da Costa prometeu continuar a investir no futebol mas disse “não” a um sócio que propos a aquisição de um placard eletrónico para o Estádio das Antas. Os jornais anunciavam um telescópio de agentes secretos com um alcance de 8 quilómetros que permitia ver tudo o que acontecia sem se ser visto e o Sindicato dos Jogadores de Futebol regozijava-se com a decisão da FPF de excluir Amora, Montijo, Académico de Viseu e Cova da Piedade por dívidas aos seus profissionais de futebol. Alain Prost, ao volante de um McLaren TAG, vencia a 44.ª edição do Grande Prémio do Mónaco e passava a ter uma vantagem de 3 pontos sobre Ayrton Senna no Mundial de condutores.

Mas voltemos à cidade de J.R., onde aproveitamos o tempo de escala para falar com José Torres, depois de quase termos esbarrado num homem da limpeza que, ficámos imediatamente a saber, era também português. Não foi uma surpresa pois parece haver também um português a viver na Lua ou, quando muito, a varrer o seu pó. Neste caso, António, natural de Torre de Moncorvo, dava apenas lustro ao pavimento do super moderno aeroporto.

Não vale a apena divagar, está feito, nada há a fazer e não vamos ver isto como um castigo, que até nem é? (José Torres)

José Torres, ao contrário do repórter, estava longe de ser um viajante apenas a cumprir o final de um exórdio que o levaria a conhecer, sobretudo, muitos aeroportos, hóteis e estádios de futebol. Mas confessou logo que as 11 horas de voo de Frankfurt até Dallas tinham sido a maior ligação área que algum dia tinha cumprido, apesar das milhares de horas de voo sobretudo enquanto jogador do Benfica. “Foi sem dúvida a maior, apesar de já ter corrido as sete partidas do Mundo”, disse-nos com a simpatia de sempre, ou não fosse o Bom Gigante. “Toda a gente suportou com boa disposição esta maratona”, acrescentou, não nos dando propriamente uma novidade. Nem à hospedeira da Lufthansa.

Sim, é verdade, tudo teria sido mais fácil se a FPF tivesse garantido um charter da TAP mas não seria por isso, frisou o selecionador, que o gato iria às filhoses. “Não vale a apena divagar, está feito, nada há a fazer e não vamos ver isto como um castigo, que até nem é”, atirou, pouco interessado em levar a conversa por esse caminho. “Estamos cá, ou não?, para dignificar a nossa profissão”, sublinhou, ainda longe de imaginar quão polémica iria ser a presença de Portugal na fase final do Mundial do México. Aqui, para surpresa de quem na altura tinha apenas 24 anos e cinco de profissão no jornalismo desportivo, Torres tratou-nos por “colega de viagem” e perguntou-nos se tinha ouvido alguém a queixar-se. “Se não estivesse tudo bem, de certeza que durante todas estas horas de viagem teria vindo alguma coisa cá para fora”, referiu ainda ao…colega de viagem, a quem fez questão de dar uma espécie de palmadinha nas costas. “É gratificante verificar todo este acompanhamento e apoio por parte da imprensa, o que só nos responsabiliza mais e faz com que tentemos dar o litro”, observou, acabando por confirmar que algumas semanas antes tinha reunido com os jogadores para lhes dizer, “na cara”, que não admitia problemas no México “por causa deste ou daquele ser titular ou suplente”, confessando que antes de viajar tinha feito questão de almoçar com Manuel Fernandes, um dos jogadores que ficou de fora da convocatória. Com uma abertura que para os jornalistas desportivos da atualidade é coisa impensável, o selecionador nacional ainda nos disse que com um Chalana em forma (outro que ficou em casa, depois de ter sido o herói do Euro 84) faria com Futre “uma asa esquerda de luxo”. Ainda a propósito de selecionador nacionais e de jornalistas, não resistimos a recordar aquela que foi a nossa mais insólita experiência com treinadores da equipa de todos nós, ocorrida num voo de regresso a Portugal no qual nos sentamos durante alguns minutos ao lado de Artur Jorge e o vimos rasgar e espezinhar o jornal “A Bola” a propósito de um cartoon no qual aparecia caricaturado na figura de um rato. A vida de um treinador pode ser difícil mesmo a muitos pés de altitude.

“Parecíamos os reis do petróleo”

Estavam a chamar para o segundo voo do dia mais longo. Destino, a pujante Cidade do México, antiga capital azteca, com 18 milhões de habitantes concentrados nos antigo terrenos alagadiços do lago Texcoco, a Tenochtitlán que Hérnan Cortés conheceu e devastou em 1524. Já com luz crepuscular, os jogadores portugueses espantaram-se com a vastidão da malha urbana da cidade situada a 2.235 metros de altitude, onde porventura voltariam para jogar a final do Mundial. Mas para além deste vislumbre da antiga capital imperial azteca, os infantes apenas viram mais um aeroporto e o caminho para o derradeiro percurso aéreo de um dia que só era dia ainda porque tinham corrido a fugir dos ponteiros do relógio, para outro fuso horário.

A equipa era esperada no aeroporto Benito Juárez – um liberal que, no século XIX, foi cinco vezes presidente do México – por uma centena de jornalistas. Portugal era uma das primeiras seleções a pisar o palco mundialista e teve de ser improvisada, antes de um jantar rápido, uma conferência de imprensa, com José Torres simpaticamente a atribuir favoritismo à seleção local, onde se destacava Manuel Negrete, que viria a ser jogador do Sporting na época seguinte e teve direito a uma placa pelo golo que marcou, no Estádio Azteca, à Bulgária, resultado de um pontapé à meia volta em suspensão.

Em Monterrey, a equipa de todos nós foi também surpreendida mas por um grande aparato de segurança, o que levou José Torres a dizer: “Parecíamos os reis do petróleo ou o presidente Reagan em visita ao México”. Reagan não era propriamente o mais popular dos políticos estrangeiros no antigo país dos Aztecas.

Quando o autocarro da seleção, após um percurso que demorou menos de uma hora, entrou no quartel-general do “La Torre”, a frase do selecionador ficou justificada pois a viatura era acompanhada por mais de uma dezenas de carros cheios de agentes da polícia. Junto ao pórtico de acesso à unidade hoteleira, homens armados completavam o quadro securitário, munidos de metralhadoras ligeiras.  Houve quem garantisse ter visto dois tanques de guerra camuflados num dos cruzamentos cortados pela polícia no percurso da seleção entre Monterrey e Saltillo, feito através da estrada nacional, mas há que dar um desconto devido ao jet lag. O responsável da segurança da equipa portuguesa fez mesmo questão de ter uma reunião com a ensonada comitiva, quando já passavam alguns minutos da meia-noite local. “Ui, não vamos poder dar um traque”, ouvimos de um dos seus elementos, em jeito de nota lamentosa. Não se confirmaria a contenção.

O dia tinha acordado resplandescente, com a onda de calor a crescer ao passar das horas. Das portadas dos seus quartos, os jogadores voltaram ver grandes bandos de corvos residentes dos jardins e aspirar os cheiros do deserto e da montanha ali tão perto. Viram também os quatro seguranças que ocuparam dois quartos do complexo residencial que fazia lembrar um “resort” do sul de Espanha. Dois quartos, diga-se, muito bem abastecidos de Coronas, Dos Equis e Sol, algumas das mais populares cervejas mexicanas, mas também com as indispensáveis “Cuauhtémoc” e “Moctezuma”, produtos da pujante indústria cervejeira de Monterrey, “Sultã do Norte”.

A manhã do domingo que se seguiu foi passada a descansar, com os jogadores a conhecerem os cantos à casa e a passarem largas horas junto à piscina, em tronco nu, calções de treino puxados à cintura, a desfrutar de uma temperatura a rondar os 30 graus. O jet lag ainda estava longe de estar ultrapassado mas houve ordens para resistir a uma “siesta”, de forma a que todos estivessem com sono na hora de dormir mexicana, apesar de os relógios biológicos marcarem, nesse momento, o fim da tarde.

O primeiro treino aconteceu precisamente nessa tarde. Numa paisagem que Fernando Correia, nas páginas da “Gazeta dos Desportos”, descreveu assim:

Dir-se-ia que o campo do Sindicato dos Professores de Saltillo se encosta à Sierra Madre como que para se abrigar de qualquer possível tormenta, no final da estrada reta que vem desde o Motel La Torre, dando a sensação de que não pode já haver mais caminho algum pela encosta acima, encosta que trepa até a montanha se encostar às nuvens ou ao céu azul.

Ao fim da tarde, foi neste cenário quase de western que a seleção nacional fez o seu primeiro treino, com José Torres a promover duas peladinhas. Fernando Gomes viria a ser o homem em destaque, com 7 golos apontados, enquanto Joaquim Oliveira se afadigava a colocar os primeiros painéis publicitários à volta do relvado, com a ajuda de dois mexicanos que tardaram em revelar-se mestres na matéria, para irritação daquele que viria a ser um dos grandes patrões do futebol português, então apenas em início de carreira na exploração da publicidade estática em recintos desportivos, depois de uma fracassada experiência numa charcutaria junto a Alvalade, no início da sua vida em Lisboa e quando decidiu trocar a capital pelo Porto, onde era o centro das atenções do mundo do futebol graças à atividade do bar noturno “Zimbo”.

“Isto está muito difícil”

Amanheceu o segundo dia em Saltillo. Radioso como o primeiro. Na agenda, duas sessões de trabalho.

Logo no início treino matinal, num relvado plantado poucos meses antes que mereceu logo alguma desconfiança, sobretudo por não estar bem nivelado, aconteceu o primeiro susto: Carlos Manuel apresentou queixas na coxa esquerda. Era uma fibrose a incomodar o “herói de Estugarda”, que parou de imediato. Como na comitiva não foi integrado qualquer fisiologista, teve de se recorrer a um especialista local, sob a supervisão do médico da seleção, Camacho Vieira, e do massagista, João Silva. “Isto está muito difícil”, disse-nos Carlos Manuel depois da primeira sessão de tratamentos.

Os trabalhos da seleção no México começavam da pior forma, com uma lesão do médio mais influente da equipa das quinas. Havia, porém, uma boa notícia para dar: o bacalhau, que na véspera tinha ficado retido na alfândega, já estava na dispensa do cozinheiro Álvaro Evaristo. Mas o jantar desse dia foi frango recheado com arroz. Bento solicitou os bons serviços do dono do restaurante lisboeta “Solar dos Presuntos” e comeu bife. O guarda-redes alegou que não gostava de frango. Compreende-se.

                                       (na próxima 6.ª feira, o 2.º capítulo)

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