Vouchers arquivados tal como a peça de cristal

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Está definitivamente enterrado o “caso dos vouchers e do kit Eusébio”, denunciado por Bruno de Carvalho num programa de televisão. O Tribunal Arbitral do Desporto decidiu, por 2-1, com o voto contra do representante do demandante, arquivar o processo, considerando que as ofertas eram feitas “depois dos jogos” e que essa prática está generalizada pelos clubes. No entender de dois dos árbitros do processo, um deles mandatado pelo Benfica, foi tudo feito “de forma transparente e na presença dos delegados da Liga e de elementos das forças policiais”, depois de obtida autorização dos representantes do clube encarnado para entrar no balneário dos árbitros. Não ficou, por isso, “minimamente provado” qualquer crime pois “não é crível que os vouchers tivessem o significado de uma solicitação ou convite a uma atuação parcial”.

Isto faz-nos lembrar o processo originário do Apito Dourado, quando um dos argumentos do Ministério Público foi o de que os árbitros foram aliciados também através de jantares pagos pelo Gondomar…após os jogos.

O melhor é sempre recusar ofertas, sobretudo quando estas pisam o limite do razoável. Como Jorge Coroado um dia fez com um serviço Vista Alegre.

Noutros tempos,  os árbitros foram contemplados, por exemplo, com verdadeiros cabazes de natal. Viajar para a Madeira sempre foi um destino apetecido, tal a carga de produtos locais que se embarcava na volta. Chaves também era outro destino querido, onde cada árbitro era contemplado com um presunto. Um dia, um deles chegou a Chaves e não encontrou o presunto da ordem no balneário. Tudo porque tinha apitado um jogo que correra mal ao Desportivo. Durante o jogo, o árbitro em questão fartou-se de distribuir cartões pelos jogadores do Chaves e sempre que o fazia dizia “toma lá um presunto”.

Mas quem fala em bacalhau fala também em viagens faturadas por engano a clubes. Ou a jantares em marisqueiras.

Um dirigente hoje menos ativo era mesmo especialista em aparecer na casa dos árbitros nos dias de aniversários dos mesmos, com uma prenda para assinalar a data. Um gesto de pura cortesia, evidentemente.

Mas tudo mudou, felizmente, sobretudo após o Apito Dourado, processo que, como se sabe, versou a oferta de filigrana e lanches ajantarados aos árbitros que apitavam os jogos do Gondomar e que também recebiam relógios dos dirigentes do principal rival deste clube, os Dragões Sandinenses. Nesse mesmo processo, curiosamente, um árbitro, Rui Silva, que foi quem espoletou o processo Apito Dourado,  confessou que recebeu do Benfica uma peça de cristal, situação que o coletivo do tribunal de Gondomar não valorizou.

Recorde-se que o Bayern de Munique continua a oferecer a todos os árbitros que recebe uma caneta “Mont Blanc” que supera sempre os 183 euros que a UEFA definiu como valor limite para este tipo de cortesias.

 

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