O mais perto que estive de Deus, o Maradona (mas quem havia de ser?)

 

1923504_54279871319_9792_n

Ao longo de 36 anos a correr campos de futebol à procura de boas histórias, cruzei-me duas vezes com Diego Armando Maradona.

A primeira no México, em 1986. Sim, vi a sua Mão de Deus, porventura mais marcante que o Mundial que conquistou pela Argentina. Nessa altura, o mais perto que estive dele foi no centro de treinos onde a Argentina trabalhava, na gigantesca cidade do México. Não sei se ele me viu a mim pois estava atrás de um magote de jornalistas brasileiros.

A segunda aconteceu já no presente século, quando o FC Porto disputou um torneio de Verão em Amesterdão e o Boca Juniors participou. Maradona fez-se anunciar. Agora não ia escapar.

Com o meu colega Manuel Chaves, então na Antena 1 e hoje na Sport TV, rumei ao hotel onde o Boca estagiava (penso que foi o Luís Vieira quem foi fazer fotografias). Lá ficamos um bom par de horas à espera que Deus chegasse (vale sempre a pena esperar por ele quando sabemos que ele existe). Por fim, chegou. Acompanhado por uma pequena comitiva. Já tínhamos dado um toque ao assessor de imprensa do Boca no sentido de nos facilitar um contacto com Diego. Nada garantiu mas não perdemos a fé (nunca se pode perder a fé em Deus).

Para não dar o dia como completamente perdido, fui logo ao encontro de Diego. Por fim fiquei mesmo muito perto dele quando a porta giratória do hotel encravou. Pedi a todos os santos para que assim ficasse muito tempo mas Deus manda mais que os santos e a porta voltou a acionar-se. Mesmo assim, conseguimos pedir a Diego “um minutinho” (digam-me só quem é que se pode orgulhar de ter tido um minuto com Deus?).

A mensagem que nos chegou é que Diego falaria connosco depois de ter uma conversa com os jornalistas argentinos, no 1.º andar. Montamos sentinela no hall. Uma hora passou e mais uma. De um momento para o outro, as vozes alteraram-se na sala. Diego aborreceu-se com as perguntas e saiu disparado. O melhor que nos deu foi um boa-noite (bem, uma boa-noite de Deus também não se pode desprezar).

Voltámos a Amesterdão desolados (´tá bem ò melga, nunca se volta a Amesterdão assim mas compreendam algum exagero). No táxi, combinamos uma entrevista fictícia (os outros jornalistas portugueses sabiam ao que íamos). Eu fiz de Deus (perdoa-me).

Já com o grupo de jornalistas reunidos, demos conta da nossa cacha e, para que dúvidas não restassem, mostramos o áudio. Nele, Maradona, perdão, eu, dizia que tinha dado ao seu novo cão o nome de Scolari (por milagre ninguém pensou ‘alto lá, isto até para o Maradona é demais’).

No dia seguinte, na reunião de planeamento de um grande jornal português, um dos colegas que nos acompanhou a Amesterdão disse que a Antena 1 e o Record tinham uma entrevista bombástica com Maradona, detalhando-a. Um amigo do mesmo jornal telefonou-me a dar os parabéns. Foi a primeira vez que não tive prazer em desmontar uma patranha e que desejei que hoje fosse verdade o que ontem era mentira.

 

 

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s