Quando o Benfica tinha o futebol de Praia

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Joaquim Queirós, antigo presidente do Leixões e o único dirigente desportivo que, como secretário-técnico do Leixões, teve a ingrata missão de anunciar a José Maria Pedroto a sua única ‘chicotada’ da carreira, recorda um dos bebés do Leixões, Praia:

Ao remexer no baú das coisas leixonenses, encontrei uma história que já havia escrito sobre um dos casos mais interessantes que testemunhei no futebol. E os protagonistas são o Praia e o Pedroto.

O Praia que, se fosse vivo, teria hoje 70 anos, foi um dos bebés do Leixões encontrado por Óscar Marques no areal da praia de Matosinhos. Finguelas, mas comia a bola, certamente o único apetite que ele normalmente saciava. O Óscar tratava dele como um filho. Até uma samarra, com gola de pelos lhe comprou, nos Armazéns Ferreira.

Endiabrado na equipa de juniores, o Praia, quando José Maria Pedroto assumiu a direção técnica do Leixões, não foi um dos escolhidos. Foi um bebé rejeitado. Dizia o Pedroto que ele não tinha arcaboiço para vingar no futebol, embora lhe reconhecesse boa técnica. E o Praia foi encostado.

Já quando se comentava o ostracismo a que fora colocado o Clemente Rodrigues Crista, fomos abordados por três dirigentes do Esmoriz que pretendia um ponta de lança, por empréstimo. Está claro que o Leixões não tinha, nem sequer para utilização própria, mas nós, fãs do Praia, tentamos convencer os homens de Esmoriz de que havia um rapaz que no distrital de Aveiro iria fazer furor. A verdade é que falaram com ele, oferecendo-lhe um salário mensal de cinco contos. E o Praia lá foi.

Rocha, que acertava no adversário da cinta para cima, teve de ser chamado à marcação de Praia quando voltou a Matosinhos, ao serviço do Esmoriz


Um dia, os dirigentes aveirenses voltam a Matosinhos a solicitar que lhes fosse concedido o privilégio do Esmoriz ser uma filial do Leixões, como sinal de gratidão pela cedência do Praias (assim lhe chamavam), que era a coqueluche do futebol no distrito de Aveiro.
E o pedido foi satisfeito e reforçado com um jogo de futebol entre as duas equipas num futuro próximo. Esse dia chegou. Era treinador do Leixões o Manuel de Oliveira. Então, fomos testemunha da loucura e na primeira parte o nosso Praia fez gato-sapato do Geraldinho. De tal maneira que, na segunda parte, o Manuel de Oliveira, que não gostava de perder nem a feijões, chamou o Rocha, que acertava no adversário da cinta para cima, para manter em respeito o craque que Óscar Marques descobrira.

Benfica pagou 1.100 contos pela transferência de Praia, que aí brilhou sobretudo na primeira de três épocas (1968/69)


Terminada a época, já com António Teixeira, surgiu a equipa dos bebés (não havia dinheiro para comprar jogadores). Praia era um dos muitos ídolos. Não demorou a que Custódio Antunes chamasse a atenção do Benfica, acabando o Benfica por pagar 1.100 contos pela transferência. E o Praia brilhou na Luz.

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Um dia, treinava Pedroto o Vitória de Setúbal, o Benfica pretendeu contratar aos sadinos o saudoso Vítor Baptista. Pedroto disse que sim, mas exigiu que os encarnados pagassem bom dinheiro e cedessem o Pedras e o…Praia.

E, assim, o grande senhor do futebol que afirmara anos antes que Praia poderia ser tudo menos jogador de futebol, viu que errou e levou para trabalhar consigo o nosso Clemente.
O futebol tem destas coisas e até os grandes mestres se enganam…

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