A bola bate na trave, não entra e ainda vos bate na cara (força, Nacional!)

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Márcio Madeira jogou duas épocas no Nacional da…Madeira. É filho de Vítor Madeira e também já alinhou no Moreirense. Hoje está no Vasco da Gama de Sines, o clube da sua terra natal. Leva 13 golos em 20 jogos. Mas não é com os golos que marca que Márcio está preocupado – é com os seus amigos do Nacional. A quem deixou esta mensagem que demonstra bem que os jogadores de futebol não são os “cêpos” de que tantos falam.

Olá pessoal.
Alguns adeptos já me tinham pedido para vos escrever ou fazer um vídeo a passar-vos força. Não me achei suficientemente relevante para isso. Não sou uma figura do clube como o eterno Patacas. Nem marquei muitos golos como o Adriano ou o Nenê. Eu “apenas” gostava de vestir essa camisola. Mas percebi no tempo que aí estive que para os adeptos esse “apenas” chegava. Esse “apenas” era tudo para eles. Gostar de vestir a camisola alvinegra. Fosse 1 minuto ou 90. Fosse apenas para aquecer como foram tantas vezes.
Pois bem. Omeu nome é Márcio Madeira. Muitos de vocês não sabem quem sou mas isso é pouco importante nesta altura. Fui jogador do Nacional da Madeira durante dois anos.
Não era muito utilizado porque a qualidade dos meus colegas não deixava. Mas isso também não é importante.

Foi graças ao Mister Joka que realizei o sonho de jogar na I Liga. Foi também graças a ele que não sonhei muitas vezes

Não tenho uma costela madeirense. Tenho uma filha e isso faz-me sentir essa ilha e esse clube como poucos. Conheço e joguei com e contra a maior parte de vocês.
Pudesse e voltaria a jogar. Mas o meu tempo ao contrário do vosso já acabou. Não posso fazer mais nada. Vocês podem fazer tudo. Assinei contrato com o mesmo Presidente que vocês. Até tenho saudades das reuniões com ele em que só ele quase falava. Trabalhei com essa mesma equipa técnica. Com o mesmo departamento médico. Com o meu querido Adriano que na altura era apenas o roupeiro. E agora já é chefe do departamento organizacional da secção dos equipamentos. Foi graças ao Mister Joka que realizei o sonho de jogar na I Liga. Foi também graças a ele que não sonhei muitas vezes. Sei o que pensam dele pois eu também já pensei.

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Mas acreditem que ninguém quer o sucesso do Nacional mais do que ele. Ninguém gosta mais disso que ele. E apesar da forma exigente e dura que fala com a maior parte de vocês. Ninguém quer o vosso sucesso mais do que ele. Sei que estão a passar uma fase má. Nada vos sai bem. Tudo vos sai mal. A mesma bola que antes batia na trave e entrava.
Hoje bate na trave e ainda vos bate na cara. E ao bater na vossa cara ainda sai contra-ataque e golo deles. Tem sido assim em largos períodos da época. Já tinha sido assim com o Professor Machado. Mas está na altura de virar a página. De acabar com as lamentações.

Somos nós que escolhemos a nossa sorte ou o nosso azar.

Esqueçam os nomes na parte de trás das camisolas. Lembrem-se, sim, do símbolo que têm no peito

Eu acredito. Mas pouco ou nada importa se vocês não acreditarem. Confiem uns nos outros. Sejam determinados. Lembrem-se da vossa luta para chegar ao topo do futebol português. Sim, porque jogar no Nacional é jogar no topo. Lembrem-se dos sacrifícios que fizeram. Da vossa família. Dos vossos amigos. Do quanto eles querem que vocês ganhem.
Pouco me interessa se é o Bento a chutar e o Zequinha a defender. Se é o Salvador a ganhar as bolas de cabeça e o Tobias a ganhar com os pés. Ou se o Jota e o Campos são da formação e o Tiago Rodrigues não. Nada disso importa nesta altura. Esqueçam os nomes na parte de trás das camisolas. Lembrem-se, sim, do símbolo que têm no peito.

Começa este domingo. Tenho a certeza que domingo viramos a página juntos. Começa uma nova fase. A fase em que vamos ganhar. Juntos. Os que jogam e os que não jogam. Ninguém de vocês sabe o que é estar de fora tão bem como eu. Mas no banco ou no campo.
sempre quis ganhar. Mais do que jogar. Eu queria era ganhar e fazer parte de uma equipa vencedora. Eu fiz e vocês também vão fazer.

Chegou a altura pessoal.

Ainda se vão rir muito de quem hoje se ri de vocês. No último jogo vamos estar a comemorar e vou-vos ler isto em voz alta no balneário. Eu ou o Hamzaoui que também lê bem em português. Domingo não estou nesse estádio. Mas o meu pensamento está. Chega de desculpas. Vamos fazer por acontecer.

Boa sorte!

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